Pisquei os
olhos, respirei fundo e repeti as mesmas palavras; É só mais um dia. É só mais
um dia, eu quis realmente acreditar. Levantei, escovei os dentes, sentei a mesa
para tomar o meu café, meio amargo, claro. Sempre me ajudou a despertar dos
problemas, me ajuda a esquecer da vida vazia que tenho. Dos sorrisos falsos que
recebo e dos abraços gelados. Amo o cheiro do café, e essa é uma das poucas
coisas que explicitamente digo que amo. Afinal, tenho medo dessa palavra. Não
um medo normal, como o que geralmente temos com altura ou se algum bicho
estranho aparece. Esse me consome por inteira, e se alguém planeja dizer essa
palavra para mim, já fique logo sabendo que ela é o motivo de me fazer ir
embora ao primeiro ônibus que aparecer.
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